Uma coalizão de estados liderada pela Califórnia conseguiu a suspensão da aquisição de US$ 110 bilhões (quase R$ 562 bilhões) da Warner Bros. Discovery WBD.O pela Paramount PSKY.O nesta segunda-feira (20), após argumentarem que permitir a conclusão da fusão prejudicaria irreparavelmente a concorrência.
A Califórnia e outros 11 estados entraram com processo em 13 de julho, argumentando que o acordo criaria um gigante da mídia com poder para aumentar preços no cinema e na televisão.
Se o acordo for autorizado a ser concluído, a Paramount logo começaria a cortar empregos e compartilhar informações confidenciais com a Warner Bros., ações difíceis de reverter caso a fusão seja considerada ilegal no futuro, argumentaram os estados.
O processo, apresentado no tribunal federal de Oakland, ameaça inviabilizar a tentativa do CEO da Paramount, David Ellison, de transformar sua empresa em uma grande rival da Netflix NFLX.O e da Disney DIS.N.
A Paramount afirmou que o processo distorce a legislação antitruste consolidada e que atrasar a transação apenas prejudicaria os trabalhadores do entretenimento, que já sofreram com anos de turbulência no setor.
Os estados alegam que o acordo viola a Lei Clayton, legislação antitruste dos Estados Unidos que proíbe fusões capazes de reduzir de forma significativa a concorrência.
Além da Califórnia, participam da ação Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington, todos governados por democratas.
De acordo com a denúncia, a empresa combinada controlaria aproximadamente 27% da distribuição de filmes em lançamento amplo nos cinemas e cerca de 27% do licenciamento de canais de TV a cabo básica.
A ofensiva ocorre menos de um mês após a Paramount obter o aval das autoridades federais de defesa da concorrência, destravando uma operação considerada estratégica para o grupo liderado pelo bilionário Larry Ellison e por seu filho, David Ellison.
Se for adiante, o negócio criará um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento de Hollywood, reunindo dois grandes estúdios de cinema, plataformas de streaming e as redes de notícias CNN e CBS News, ampliando a presença da família Ellison em um setor que atravessa uma profunda transformação.
Internacionalmente, a empresa já garantiu aprovações de mais de 20 países e regiões, incluindo Brasil, China e Austrália. Alguns reguladores internacionais ainda precisam aprovar o acordo, como o Reino Unido e a União Europeia. Em junho, uma autoridade britânica disse que seu governo estava inclinado a examinar a aquisição.
Em 15 dias a compra será efetuada.